23/05/2009 - PESCA DA TAINHA - LEI x TRADIÇÃO Se a tainha soubesse que propicia tanta confusão antes de ser capturada, com certeza ela não passaria pelo nosso litoral. O recente incidente na Guarda do Embaú, no dia 4 de maio, quando o surfista Robson Tebé (Tibé), de 45 anos, baseado na informação de que a pesca da Tainha só começaria no dia 15 de maio, enfrentou os pescadores e caiu no mar gerando grande discussão, Boletim de Ocorrência, matéria da RBS TV e na Internet, está desencadeando um movimento estadual e até nacional que deverá trazer “um novo olhar” para o tema. A argumentação dos pescadores para o fechamento da praia é de que a lei não está bem “clara” e possibilita uma “flexibilização” neste período, pois eles sempre “abrem” a praia antes da data estabelecida pela portaria do IBAMA número 26, de 13 de abril de 1995, que dizia que o período da pesca da Tainha seria de primeiro de maio a 15 de julho. Aqui há vários pontos a considerar. Primeiro é que esta Portaria foi revogada, ou seja, deixou de existir com a Instrução Normativa número 171, de 09 de maio de 2008, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que estabelece o início da pesca da tainha no dia 15 de maio. Segundo, que em nenhum momento o IBAMA fala em fechamento de praia ou em prática de esportes, até porque não é da sua competência. Outro ponto interessante da Instrução Normativa é que ela veio para proteger os pescadores artesanais, no entanto, está bem claro, também, que foi instituída para preservar o pouco que resta das tainhas. O que irá, mais cedo ou mais tarde acontecer, se os grandes barcos de captura de peixes e todos aqueles envolvidos na pesca não levarem a sério a Lei é o perigo da sua extinção, e aí, só vai ter uma saída: o defeso total, e isso não interessa a ninguém. Teríamos, então, mais uma tradição em xeque. O que se percebe em conversa com vários surfistas, com a própria Federação Catarinense de Surfe, com os representantes da Associação de Surfe e Preservação da Guarda do Embaú (ASPG), e até com os pescadores, é que não há ainda um consenso. A única coisa que se observa é que é preciso haver um trabalho em comum entre as partes, para que não haja violência. Vale ressaltar também, que há que se respeitar a tradição, mas enquanto esta discussão for apenas entre os pescadores e os surfistas, ou seja, “subsistência (tradição) x lazer”, os praticantes do esporte sempre levarão a pior. O que é preciso analisar com profundidade é até que ponto o fechamento das praias para a prática de esportes está sendo importante para alimentar as “bocas” em detrimento do comércio, do terceiro setor e de várias outras atividades que ficam a mercê desse processo, mas que também significam importante fonte de renda para a comunidade. Na nossa visão, a normatização por Lei do uso de bandeiras seria a saída para o impasse. PESCADORES RESPONDEM A confusão na Guarda do Embaú gerou esta resposta do presidente da Associação dos Pescadores da Guarda (Os Maias), Gabriel Corrêa, que foi enviada para nós e publicada do jornal Palavra Palhocense, na nossa coluna, Dito & Kito (http://www.palhocense.com.br/area_22) desta semana, e que transcrevemos tal como chegou. Veja também: Pesca da tainha - O lado dos pescadores Pesca da tainha - A busca por uma solução Marcos Aurélio Gungel (Kito)
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